Sabe aquele momento exato em que você clica em “Confirmar Compra”?
É quase físico. O coração desacelera, os ombros relaxam e uma onda de alívio percorre o corpo. É delicioso, não é? Por um breve e glorioso minuto todo o estresse do trabalho, a discussão com o chefe ou a ansiedade sobre o futuro simplesmente desaparecem.
Parece mágica, mas é química.
O que acontece ali é uma injeção rápida de dopamina. O problema é que, segundo estudos, essa sensação de recompensa dura, em média, 15 minutos. Já a fatura… bom, a fatura dura muito mais tempo.
O cartão de crédito como ansiolítico
Quando pensamos através do prisma das psicofinanças, costumamos investigar o que está por trás do extrato bancário. E o que acaba sendo descoberto com frequência é algo que precisamos conversar abertamente: estamos usando o cartão de crédito como uma espécie de tarja preta.
Quando você está exausto, frustrado ou ansioso, o ato de comprar funciona como um ansiolítico. Ele “acalma” a dor momentânea. Você não está comprando aquele sapato porque precisa calçar algo. Você não está pedindo aquele delivery caro porque está faminto. Na realidade, você está tentando comprar silêncio.
Você está tentando calar uma ansiedade interna que o dinheiro não resolve. Você está tentando preencher um vazio emocional com algo físico. É uma tentativa desesperada (e inconsciente) de dizer: “Eu mereço um prêmio por ter sobrevivido a este dia”.
O grande perigo desse mecanismo é que ele cobra um preço alto demais.
Enquanto você usar o consumo para tentar lidar com suas emoções, a conta nunca vai fechar. Pior: ela vira uma bola de neve. Você compra para aliviar a ansiedade, a fatura chega alta, isso gera mais ansiedade, e você compra novamente para aliviar essa nova tensão.
É um ciclo cruel. Você acaba pagando juros compostos sobre os seus sentimentos.
Tratando a causa, não o sintoma
Se você se identificou com esse texto, quero te fazer um convite: pare de olhar apenas para o sintoma (a dívida) e comece a olhar para a causa (o gatilho). Antes de confirmar a próxima compra, faça uma pausa de 10 minutos. Pergunte-se: “O que eu estou sentindo agora? É necessidade ou é uma tentativa de silenciar algo que está gritando aqui dentro?”.
Entender o que você realmente está tentando comprar é o primeiro passo para parar de financiar suas emoções e começar a financiar seus verdadeiros sonhos.
Se você sente que está nesse ciclo e não consegue sair sozinho, não tenha medo de pedir ajuda. Às vezes, o melhor investimento que podemos fazer não é na Bolsa, é na nossa própria paz mental.