Continuando nossa conversa (ou iniciando, caso seja novo por aqui), vamos falar mais um pouco sobre o tão famoso 100% que aparece em tantos lugares por aí: 100% do CDI, como naquele CDB que o banco ofereceu pra você, ou daquela conta que rende diariamente naquela fintech super moderna.
“Ok, eu já entendi que essa sigla existe e que é algo importante, mas isso não me explicou nada”. Bem, você está 100% com razão. Mas para entender esse algo, nosso primeiro passo é compreender a importância dele em nossa vida. Dito isso, vamos começar pelo começo.
Primeiro, vamos entender o contexto e a origem do Certificado de Depósito Interbancário (nosso CDI): No final de cada dia útil, os bancos precisam ajustar suas contas. Alguns bancos podem terminar o dia com dinheiro sobrando no caixa, enquanto outros podem precisar de dinheiro para cumprir suas obrigações. É aí que entra o CDI: ele é a taxa de juros que os bancos cobram uns dos outros para emprestar dinheiro por um curto período de tempo, geralmente de um dia para o outro. Para facilitar, pense no CDI como uma taxa de empréstimo entre os bancos.
Agora, por que isso é relevante para você? Porque o CDI serve como uma referência importante para calcular o rendimento de diversos produtos financeiros. Quando você investe em um Certificado de Depósito Bancário (CDB), em Letras de Crédito Imobiliário (LCI), Letras de Crédito do Agronegócio (LCA) ou até em alguns fundos de investimento, é comum que o rendimento desses produtos esteja atrelado ao CDI (e vamos ter um texto falando mais sobre todas essas siglas em breve). Basicamente, você está emprestando seu dinheiro ao banco e, em troca, recebendo uma taxa de juros que é próxima àquela que os bancos pagam entre si.
Vamos exemplificar: Suponha que você tenha investido em um CDB que paga 100% do CDI. Se a taxa CDI anual estiver em 10%, seu CDB também renderá 10% ao ano. Existem produtos que pagam uma porcentagem do CDI, como 80% ou 90%, e isso vai influenciar diretamente o quanto você vai receber pelo dinheiro que deixar aplicado.
Agora, vamos trazer a taxa Selic para a conversa. A Selic é a taxa básica de juros da economia brasileira, definida pelo Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central. Ela serve como referência para as demais taxas de juros da economia, incluindo empréstimos, financiamentos e investimentos. Quando a Selic sobe, o custo do crédito aumenta e, quando ela cai, o crédito fica mais barato. Se quiser saber um pouco mais sobre isso, esse texto pode ajudar.
Voltando ao nosso tema principal, o CDI e a Selic estão intimamente ligados. Em geral, o CDI tende a acompanhar os movimentos da Selic. Se a Selic aumenta, o CDI também sobe, e vice-versa. Isso acontece porque a Selic influencia diretamente o custo do dinheiro no sistema financeiro. Portanto, quando o Banco Central decide ajustar a Selic para controlar a inflação, isso também impacta o rendimento dos investimentos atrelados ao CDI.
Além disso, o rendimento de muitos investimentos de renda fixa, como os CDBs e os fundos DI, está diretamente relacionado ao CDI. Se a Selic sobe e o CDI acompanha, os rendimentos desses investimentos também aumentam. Por outro lado, se a Selic cai, o CDI tende a cair junto, reduzindo os rendimentos.
Em resumo, o CDI e a Selic são ferramentas poderosas e essenciais para quem deseja investir de forma inteligente e consciente no mercado financeiro brasileiro. Ao entender como eles funcionam e como se relacionam, você pode tomar decisões mais informadas e alinhadas com seus objetivos de vida. Afinal, a educação financeira é um passo fundamental para uma relação mais saudável com o dinheiro e para alcançar a tão sonhada tranquilidade financeira.
Espero que essa comparação tenha esclarecido ainda mais a importância do CDI e da Selic! Se tiver mais alguma dúvida, estou aqui para ajudar.